A Renda Renascença de Poção, localizada no Agreste pernambucano, foi reconhecida como Indicação Geográfica (IG) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento, que ocorreu em apenas quatro meses após o protocolo do pedido, é fruto de uma parceria entre o Sebrae Pernambuco e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).
Este registro destaca a Renda Renascença como uma tradição que é passada entre gerações, consolidando Poção como a Capital da Renda. Em julho, o produto já havia sido declarado Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).
Murilo Guerra, superintendente do Sebrae/PE, enfatizou que a Indicação Geográfica é uma estratégia para promover o desenvolvimento territorial e gerar oportunidades para os produtores locais. Roberta Andrade, diretora-presidente interina da Adepe, também ressaltou a importância do reconhecimento para valorizar o trabalho das rendeiras e fortalecer a identidade cultural do estado.
A conquista da IG envolveu a organização do grupo produtivo e a elaboração de documentos que definem as características e padrões de qualidade da Renda Renascença. Lindenberg Nóbrega, vice-presidente da Associação dos Artesãos e Artesãs de Poção, destacou que o reconhecimento é uma reparação histórica aos artesãos que mantêm viva a tradição, muitas vezes ofuscada por grandes marcas.
A Renda Renascença, uma técnica artesanal que combina linha, agulha e lacê, tem raízes na Itália e chegou ao Brasil através de ordens religiosas. Em Poção, a técnica foi introduzida na década de 1930 e se tornou uma alternativa econômica para muitas mulheres, especialmente em períodos de seca.
A Adepe e o Sebrae/PE continuam a trabalhar para reconhecer outras 18 Indicações Geográficas em Pernambuco, ampliando as oportunidades para os produtores locais.
