O mercado financeiro está cada vez mais aberto a iniciativas que promovem a sociobioeconomia, um modelo de desenvolvimento sustentável que envolve comunidades, especialmente indígenas e quilombolas, na produção de bens e serviços a partir de recursos naturais.
De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, esse setor movimenta cerca de R$ 2,7 trilhões, representando 25,3% do PIB brasileiro. A diretora executiva da Conexsus, Fabíola Zerbini, destaca que a inclusão da sociobiodiversidade em políticas públicas tem contribuído para a visibilidade e fortalecimento desse modelo.
No entanto, Zerbini aponta que os produtores enfrentam desafios para acessar crédito e recursos financeiros, uma vez que muitos incentivos não foram projetados para negócios comunitários. Um exemplo é a Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável (COPABASE), que levou mais de dez anos para conseguir acesso a crédito.
Outra iniciativa, a Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), também enfrentou dificuldades semelhantes, mas conseguiu apoio da Conexsus para obter financiamento e aumentar a produção. A parceria entre Conexsus, Instituto Clima e Sociedade e Banco do Brasil busca destinar R$ 5 bilhões em crédito até 2030 para fortalecer a sociobioeconomia.
José Ricardo Sasseron, do Banco do Brasil, afirma que a iniciativa visa ampliar o acesso a recursos financeiros e assistência técnica, promovendo cadeias produtivas sustentáveis. Zerbini ressalta que transformar a floresta em economia real pode ter um impacto positivo na economia nacional e ajudar a mitigar riscos climáticos.